instalacao site specific
vinil adesivo, plotagem, madeira pintada e backlight
teto: 284m2 aprox.
poço: 1,10m (h) x 1,60m (diametro)
Octógono, Pinacoteca do Estado de SP, 2006
O Observatorio é um ideograma visual onde imagens ficcionais do cosmos se entrecruzam com a arquitetura descarnada do espaço do Octogono.
A narrativa visual da instalação compreende duas esferas, uma delas gigante e aderida diretamente ao teto de vidro modular que cobre o espaço expositivo e a outra muito menor, visivel apenas para quem espia o fundo de um poço negro, objeto/enigma construido em madeira e assentado no meio do espaco arquitetonico, sobre o piso de m_armore branco.
As duas esferas remetem ao imaginario cientifico da representacao de planetas: a maior se percebe como um planeta virtualmente suspenso no ceu noturno, exatamente acima do poço; a menor é a sua réplica, mais alem do fundo do poço.
A diferença de escala entre as duas esferas e seu alinhamento centralizado no eixo vertical do Octogono, respondem a tentativa de criar a ilusao de um orificio no poço/funil, dando passagem à profundidade do cosmos.
A ideia de universo infinito que junta as duas esferas esta reforçada por uma ambiencia azul derivada de filtros de luz nos vidros do teto, com a funçao de ativar todo o espaço interior da arquitetura. Nesta especie de capsula azulada, a conexao dos dois planetas tambem se apoia na percepção de que o espaco maior (o espaco "la fora"+ o espaço interior) parece engulir o espaço menor (o do funil, no poço), tal como imaginamos espaços que se auto-devoram, nos modelos cosmicos de espaco-tempo como a "garrafa de Klein" e os " buracos negros".
A assunção poetica maior implicada no Observatorio é a de que tanto o lugar, quanto os que se assomam a borda do poço nao estariam mais em terra firme, mas flutuando entre os dois planetas, totalmente a deriva ...
O Observatorio compartilha a mesma filiacao às problematicas da luz de obras como as de Claraluz (CCBB-SP , 2003), Lumen (Palacio de Cristal, Museu Reina Sofia, Madrid, 2005) e Luz/Zul (Telemar, RJ, 2006). Tambem pertence a linhagem de instalacoes anteriores que incluiram a esfera como forma perfeita, prisitina e tambem enigmatica, capaz de carregar indagações sobre arte e o mundo.
Nesta instalacao a imagem da esfera deriva da fotografia de uma bola, preparada digitalmente para a realizacao de dois back lights. O maior deles, impresso sobre vinil adesivo colado diretamente sobre o telhado de vidro, tem uma forma circular com diametro de 7,60m e o menor , de 30 x 30 cm, compoe a caixa de luz embutida no interior do poço de madeira.
O backlight sobre o telhado esta complementado pela aplicacao de um vinil adesivo que funciona como filtro de luz de cor azul intenso, colado sobre toda a superficie dos vidros que sao visiveis desde o piso do Octogono.
A aplicacao do vinil sobre o telhado, incluindo a imagem do planeta, ocupa area de 284 m (aprox.)
O poço de madeira octogonal pintado em preto acetinado tem 0,90 m de altura e esta apoiado sobre um degrau (de 0,20m, tambem octogonal) forrado de carpete preto. O backlight menor é uma caixa de luz colocada numa gaveta embutida na base do poço. Os leds da caixa de luz acendem com a energia proveniente de uma bateria de moto colocada ao lado do backlight, obedecendo a uma estrategia tecnica para eliminar a fiação eletrica aparente.
Creditos:
Fotografia da esfera: João Luis Musa
Plotagem e Aplicacao: Krom Art
Marcenaria: Marcelino Ros Lopez
Iluminação: RCF Eventos
