Regina Silveira-Projeto, 2002.

Exposição no CCBB, SP.

LUMEN

O eixo da exposição é a obra LUMEN, uma narrativa visual concebida em conexão com a arquitetura interior do edificio do centro Cultural Banco do Brasil, Desenvolvida em dois tempos, esta narrativa tem como tema a grande claraboia de vidro que ilumina os tres andares do predio, e que no edificio de Ernesto Pujol é sem dúvida o elemento arquitetônico mais determinante da configuração de seus espaços internos.

O primeiro tempo da narrativa visual inicia na propria claraboia, (com sua luz alterada por um filtro localizado acima dela, no quarto andar) e ocupa o vazioa arquitetônico ovalado debaixo dela, estendendo-se em movimento descendente, até o primeiro andar. A operação principal no vão central do edificio é a descontrução da imagem da claraboia, ou seja, seu estilhaçamento e recomposição como imagem luminosa de grande formato a ser projetada sobre as paredes e tetos dos diversos andares.
A composição estilhaçada resultará de um conjunto de fotografias da claraboia, tomadas de diferentes pontos de vista, e depois combinadas e tratadas como colagem digital apta a produzir uma transparência de 18cm x 18 cm para uso em projetor Pani, (de grande potência luminosa), Espera-se que a imagem projetada (com capacidade de expandir-se para cerca de 10 metros nas duas dimensões) se comporte como uma camuflagem luminosa que reveste topograficamente o interior do edificio . Sob determinados ângulos , contudo, o estilhaçamento deve aparenta r estar destacado das paredes e tetos e adquirir uma visualidade próxima à da queda livre e imaginária dos estilhacos luminosos, vindos da claraboia localizada acima.

O segundo tempo.da narrativa visual é LUMINÂNCIA, a parte que se localiza no subsolo, mais precisamente nos espaços do cofre, entendido este, no contexto do CCBB, como o próprio coração do edifício, por suas funções importantes para o perfil anterior da instituição.
No subsolo, fisicamente separado dos espaços superiores afetados pela claraboia, a presença da claraboia estilhaçada se entenderá como uma consequência do movimento descendente da LUMEN. Virtualmente colocada dentro do cofre, a imagem fragmentada e luminosa da claraboia deriva de dois backlights afixados nas aberturas das duas portas metálicas e fortemente iluminados por trás, isto é , com fontes luminosas instaladas no interior do cofre.
A luminosidade do elemento capturado no interior do cofre será continuada no espaço circundante por meio da expansão da mesma imagem estilhaçada, agora preparada em versão digital, para impressão em plotter sobre vinil auto- adesivo. Aplicada como se fosse papel de parede e tapete, a imagem impressa no vinil deverá camuflar as paredes e o chão da área imediatamente anexa às portas do cofre, perdendo-se no escuro do corredor circundante . e avançando( como especie de forração) para o chão iluminado da ante-sala que lhe dá acesso.

(Tres instalações na sala em “ L”, do segundo andar)

QUIMERA

A instalação QUIMERA é a versão espacializada de um paradoxo visual antes explorado graficamente na gravura Lâmpada,(1997), na qual a imagem fotográfica de uma lâmpada acesa está circundada por sua grande sombra negra. Em QUIMERA a imagem fotográfica da lampada acesa, com luz amarelada, e suspensa por um fio, foi transposta a um gobo dicroico com qualidade fotografica, para ser acoplado a um projetor helocoidal. Projetada na parede, a imagem sugere um espaço em profundidade, isto é, um lugar fictício, situado dentro da parede , onde a imagem aparece pendurada,, com caráter de fantasmagoria.
Na instalação QUIMERA o paradoxo anterior ganha uma complexidade a mais, pela inversão espacial produzida pela sombra que, com origem na lâmpada acesa, parte do espaço embutido na superficie da parede, ganha corporeidade e invade as paredes e o chão do espaço real da sala.

PULSAR

A peça é uma montagem espacial formada por dois componentes:

  • uma caixa de fósforos da marca Fiat Lux com uma pequena lâmpada (ou fibra óptica) embutida e que, passando por uma abertura em forma estrelada, feita na lateral da caixa de fósforos, produz na parede uma pequena projeção luminosa na forma de uma estrela,
  • a projeção luminosa de uma estrela alongada,, realizada por meio de um gobo acoplado a um projetor helicoidal e posta em conexão direta com a pequena estrela projetada pela caixa de fósforos.
  • A intenção da montagem é sugerir que a caixa de fósforos é um nascedouro de estrelas.

    DOUBLÉ

    A instalação DOUBLÉ trata da natureza das cópias e dos duplos , por meio de uma visualidade ambiental que proporciona a comparação visual de duas formas simples, uma real e outra projetada.
    Dois cubos, um deles construido em madeira ( com arestas de 1,20m) e portanto com existência sólida no campo perceptivo do observador e outro, realizado como imagem fotográfica projetada por um gobo dicroico, se situam lado a lado, num espaço triangular, fechado e tomado pela sombras proprias e projetadas dos dois sólidos geométricos.
    Quando vistos lado a lado, a similaridade ambigua que se estabelece entre eles deve permitir uma duplicação oscilante, ora do construido ora do representado,.

    (Projeção dupla de DVD, na sala do terceiro andar)

    LUNAR

    O trabalho tem como fundamento uma animação digital, em DVD, realizada em colaboração com o artista Ronaldo Kiel, para uma das coreografias do espetáculo REMAP, pelo grupo Anita Cheng Dance, em Fevereiro de 2002, no Joyce Soho, em New York.
    A nova configuração da animação digital original , sua sonorização e o arranjo em loop com 11” 6” de duração, é uma realização do grupo OLHAR PERIFERICO, de São Paulo. ,Em LUNAR dois projetores de video projetarão a mesma sequência em loop, mas em tempos distintos e invertida em espelho, sobre duas paredes dispostas em ângulo reto, LUNAR consiste na animação combinada de duas esferas construidas digitalmente, que rolam devagar, junto ao chão. Cada uma delas nasce diminuta,, no base de cada parede e depois cresce até atingir uma medida aproximada a 1,50m de diâmetro.
    A combinação aleatoria das duas projeções vai produzir um campo aberto de possibilidades para a visualidade das esferas em movimento, Embora estando sempre presentes as duas esferas, uma em cada parede, elas estarão por vezes juntas, e outras vezes rolam separadas, paralelas ou assimétricas. Tambem poderão mostrar diferentes tamanhos, quando uma delas , ou mesmo as duas, estiverem crescendo ou descrescendo em direção a uma suposta “Linha de Terra”, sugerida no encontro das paredes com o chão . (No sistema da Perspectiva, a “Linha de Terra” é a linha imaginária que limita o Plano Geometral , corre paralela à “Linha do Horizonte” e, como ela, está situada no infinito).
    Pretende-se que no ambiente da projeção os proprios projetores de video ou uma iluminação fraca e rasteira, possam eventualmente lançar as sombras projetadas dos espectadores sobre as paredes onde as esferas se movimentam.

    (Intervenção luminosa em janela do saguão, no andar térreo)

    LUZ/ZUL

    A instalação LUZ/ZUL é uma obra acoplada a um elemento arquitetónico especifico, no saguão de entrada do CCBB.
    Criada especificamente para funcionar em conjunção com uma das janelas do saguão, LUZ/ZUL propõe uma ficção luminosa, contruida como falseamento de uma fonte de luz real : a janela e a luminosidade que pode projetar no ambiente interno do edificio . Nesta instalação, a luz e a luminosidade trocam de papeis , com base numa interpolação na qual um do termos é propria luz, configurada e apresentada como a palavra “LUZ”, significando a si mesma.
    Nos vidros da janela fechada um filtro de luz, consituido por um filme adesivo de cor azulada, deixa passar a luminosidade vinda de fora por suas partes recortadas manualmente ou com plotter de corte, na forma da palavra “LUZ”. Na parede que fica junto à esta janela se situa uma projeção luminosa da mesma palavra, que, contrariando a expectativa criada pelo recorte no filme, não provém da janela, mas de um projetor helicoidal portando um gobo recortado com a palavra “LUZ” e colocado obliquamente ao lado da janela.